Foram sem dúvida tempos de festa brava Bem-vindos à Europa quando ninguém o esperava Duas décadas de subsídios e facilidades Acabámos todos no desemprego, embriagados Contentação com mundos e fundos europeus Transpirando luxos que nunca haviam sido teus Mas já a minha avó me dizia antes: "Filho, Deus dá nozes a quem não tem dentes" Foi-se a foice e o martelo Permaneceu a esperança num sorriso amarelo Foi-se a foice e o martelo Permaneceu a esperança Navegamos em rios de alcatrão Recorrendo ao crédito habitação Nascemos, vivemos, morremos com medo Hipotecamos a família, o carro e a casa Queremos voar, não temos asas Por um novo anel penhoramos o dedo Muita obra, muito betão Muita inauguração Parcerias público-privadas ainda por explicar Vem mais um novo apoio Uma misteriosa tranche Com polémicas sucessivas Em modo avalanche Navegamos em rios de alcatrão Recorrendo ao crédito habitação Nascemos, vivemos, morremos com medo Hipotecamos a família, o carro e a casa Queremos voar, não temos asas Por um novo anel penhoramos o dedo