Kishore Kumar Hits

Ásperø - Isolamento e Asfixia текст песни

Исполнитель: Ásperø

альбом: Alienação e Confinamento


Negar a razão é se fazer cego
Restou apenas a carcaça
Morreu só e isolado
Negou tudo
(Em) conspiração
Seguiu o líder
Primeira perdição
Perdição
Disseminou falsa informação
Separou ciência e razão
Contaminou todos sem pudor
Assassino leal e sem alma
Quando o ar faltou
Não havia ninguém
Isolado e só
Sem deus e sem mito
Ninguém por ti
Morte solitária
Ninguém chorou
Foi esquecido
O teto girou e tudo ao redor
Em seguida, ninguém ouviu o baque do corpo contra o piso
O telefone tocou e ninguém ouviu
Do lado de fora da janela
O cinza profundo da cidade se pronunciava com peso sobre toda paisagem
Moldando uma frieza de coração
Germinada no medo que embaça as janelas solitárias
O vizinho de cima deixou de sair com o cachorro
Já o debaixo, mudou-se com a esposa para um lugar qualquer
O pequeno prédio tornou-se um mausoléu
Um gaveteiro de corpos esquecidos entre móveis
Contas empilhadas embaixo da porta
Comida apodrecida na geladeira
E animais de estimação que se canibalizarão uns aos outros
E morrerão depois de seus donos
Pela rua, os desgraçados que ignoram o vírus
Circulam com máscaras abaixadas
Em direção a um futuro incerto
Entre eles, os suicidas involuntários que tiveram de escolher
Entre sobreviver para matar a fome
Ou escapar da loteria mortífera da pandemia
Alienação e confinamento
Todos tossem, escarram, respiram com dificuldade
O corpo tem febres
Gritando através das dores que a solução venha logo
O prédio, o bairro e todo entorno jaz num silêncio morto
Uma ausência das vidas
Vidas ceifadas pelo descaso e a opção de
Ofertar a morte aos pobres no atacado
Ambulâncias correm noite e dia, sem dar conta da demanda
Cemitérios abrem covas como se fosse tempo de guerra
Uma campanha de difamação é movida em redes
Onde o raciocínio se restringiu a aceitar a realidade fictícia
E abraçar o irreal como matéria
Dentro do apartamento, tombado sobre o carpete
O ar não alimenta mais o corpo
Uma dor atroz toma conta de tudo
Enquanto a escuridão vai dominando os campos da visão periférica
A inflamação descontrolada, percorre nervos, pele, células
Pondo a proteção do corpo como um veneno que mata o próprio
Alguém agoniza, sentindo a falta de ar
Mas também pelas decisões equivocadas
O ataque às vacinas
A descrença no sistema de saúde
O apoio irrestrito do genocida na cadeira de líder
Ignorou os números e os cuidados, desfez relações
Apartando quem se importava como quem joga fora peças descartáveis
Deixou-se alienar, ignorando tudo e contaminando outros milhares
"A economia não pode parar"
Falou o patrão que não precisava se expor
"Minha liberdade antes da máscara"
Disse o outro sem saber que morreria semanas depois
Mais de meio milhão de vidas não tiveram a chance de escolha
Não tiveram tempo para a vacina
E de uma forma ou de outra todos estamos morrendo
Por imprudência, por descaso ou por projeto
Alienação e confinamento
Da mesma maneira que o indivíduo é tomado pela falência de órgãos
Que vai matando-o de dentro para fora, o corpo social padece
Os sistemas de saúde tornam-se sobrecarregados
A doença faz o corpo inimigo de si próprio
A sociedade se permitiu ficar inimiga da verdade
E ficar mesquinha e irresponsável diante das consequências
Quando a falência múltipla vence a escuridão é completa
Ninguém chora por esse, ninguém sente falta
Não há lembranças ou choros de enlutados
Resta apenas o vazio dos confinados e ignorantes

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