Eis me aqui No espaço vazio entre O alicerce de um lar E o caos dessas ruas E, a cada passo à frente, Milhas, milhas me vejo voltar Contraste que assusta Os gritos - rasgados, hostis Reduzindo a vida à nada E o silêncio que ecoa aqui Ambos compõem, em harmonia, A trilha sonora desse caos Ontem, fez calar a existência Hoje, senta ao trono sem resposta Amanhã, largado à indiferença Ouça o tempo bater à sua porta Tudo o que te faz ser o que é Some na neblina das Bombas de gás Que cobre a lucidez E logo não verão mais vida em vocês Levantem na presença do seu rei Que faz as preces ante o espelho Que pôs sobre o altar pra afirmá-lo acima de tudo E acima de todos, o seu reino Marchem no escuro desse céu - de sol, de azul Ergam suas foices e suas tochas - sem corte, sem luz E julguem o que não é igual Hoje, amém! Amanhã, a quem? Mas não se ouvirá a voz do silêncio no banco dos réus Fado ou sentença - fardo ou existir Resistir Re-existir ♪ Ontem, fez-se armar de toda crença Hoje, andamos contra a marcha imposta Amanhã, mancha vil na existência Ouça o tempo bater à sua porta