Foi seca, foi alma oca, boca que profere a morte Foi corte que arde no couro, mal agouro pra uma vida Descida desenfreada, insanidade assumida Foi o desejo mais falho, os calos na mão da Frida Foi queda no precipício, hospício, inimigo interno Foi drama escrito em caderno, viagem de ida ao inferno Foi vício desde o início, foi cruz e também espada Mas se foi, e hoje em alívio eu digo que é nada Me diz o que eu vou fazer se ela voltar Mano, diz o que eu vou fazer se ela não for Sei que dá prazer, acho que não dá pra morar Cê quer me decifrar, mas só se eu me decompor, amor Foi repetição do todo, lodo até o pescoço Osso pra matar a fome, foi sem nome e sem teto Sem afeto ou caminho, sem carinho ou condição Foi pé descalço em falso, sem rumo e sem condução Foi confusão desleal, mudança de opinião Foi falta do que é real, foi hora sim e outra não Foi não saber o que falar e calar por sentir demais Mas só foi, e hoje eu sou grato por não ser mais Me diz o que eu vou fazer se ela voltar Mano, diz o que eu vou fazer se ela não for Sei que dá prazer, acho que não dá pra morar Cê quer me decifrar, mas só se eu me decompor, amor Escolhi um filme pra gente se amar gostoso Você aprendeu como se faz, tô orgulhoso Então fica no alcance que o mundo tá perigoso Não importa o meu deslize, eu sorrio e sigo o curso Não há motivo, hoje eu quero ficar tranquilo Eu vi que a bad trip é vazio, deixa entrar Mano de xarope, eu peguei e tomei o vidro Esperei o mundo me dar uma colher de chá O universo ainda é menor do que o futuro Do sono profundo, eu tô aqui pra te acordar É do outro mundo, é sonho de vagabundo O plano é curto, eu volto pra comemorar